A Casa da Música é um icônico edifício construído no âmbito da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura, situado na Rotunda da Boavista, na zona ocidental da cidade. É o primeiro edifício construído em Portugal exclusivamente dedicado à música.
O projeto da Casa da Música foi decidido em 1999, no resultado de um concurso internacional de arquitetura que escolheu a solução apresentada pelo arquiteto Rem Koolhaas, do Office for Metropolitan Architecture.
Inaugurada em 15 de abril de 2005, pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, desde então nele atuam com muito sucesso cinco agrupamentos residentes: Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, Orquestra Barroca Casa da Música, Remix Ensemble Casa da Música, Coro Casa da Música e Coro Infantil Casa da Música, para além de outros agrupamentos de jazz e de música popular. Eu próprio sou frequentador assíduo da Casa da Música, com assinaturas da Orquestra Sinfónica, da Orquestra Barroca e do ciclo de piano.
Atualmente, o diretor artístico da Casa da Música é o francês François Bou, enquanto que o maestro titular da Orquestra Sinfónica é o suíço Stefan Blunier, e o da Orquestra Barroca é o inglês Laurence Cummings. É de salientar que, durante este ano, a Casa da Música dedica nove concertos à obra do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, terminando com a grandiosa Suíte Sinfônica Amazônia.
O edifício
Trata-se de um edifício monolítico poliédrico com 16 faces, construído em betão branco aparente, dotado de um parque de estacionamento subterrâneo com 3 pisos, que depois se desenvolve até ao piso 8, onde se situa um restaurante com cozinha de autor. Dispõe de dois auditórios: a Sala Suggia e a Sala 2, respetivamente com uma lotação máxima de 1238 e 300 lugares. Além disso, existem outros espaços funcionais, tais como o Café dos Músicos, no piso 0, duas salas de ensaio subterrâneas, uma sala VIP e o espaço Cibermúsica.
O projeto de arquitetura foi da responsabilidade do conceituado arquiteto neerlandês Rem Koolhaas, prémio Pritzker 2000, enquanto que o projeto estrutural foi da empresa inglesa Ove Arup, em articulação com a empresa portuense Afassociados. O projeto de acústica de excelência dos auditórios foi da autoria do eng. neerlandês Renz Van Luxembourg. O empreiteiro desta obra foi o consórcio das empresas portuguesas Somague e A. M. Mesquita.
Os elevadores
A Casa da Música dispõe de oito elevadores muito específicos fornecidos pela ThyssenKrupp Elevadores, que também forneceu três escadas rolantes reversíveis e a mecânica de cena para os diversos auditórios. Cinco elevadores para o serviço do público, todos com a mesma capacidade: 13 pessoas, 1000 kg, velocidade de 1,6 m/s, sem casa da máquina e com acionamento por variação eletrónica de frequência, dotados de portas automáticas telescópicas:
– EL.1
Elevador para o serviço do parque de estacionamento
Serve 5 pisos (garagens, entrada e lobby);
Cabina forrada a chapa de bronze;
– EL.2 e EL.3
Dois elevadores em duplex, servindo todos os pisos do edifício
Servem 11 pisos (garagens, entrada, lobby e restantes pisos do edifício);
Cabinas forradas a chapa de bronze;
– EL.6
Elevador de acesso direto à Sala Suggia
Serve 5 pisos;
Cabina forrada a chapa de bronze;
– EL.8
Elevador de acesso ao parque de estacionamento
Serve 4 pisos;
Cabina forrada a chapa de aço liso;
– EL.4
Elevador de serviço
Capacidade: 13 pessoas, 1000 kg
Velocidade: 1,6 m/s
Serve 10 pisos;
Cabina forrada a madeira;
Sem casa da máquina e com acionamento por variação eletrónica de frequência;
– EL.5
Monta-cargas de uso geral
Carga útil: 2000 kg, 26 pessoas
Velocidade: 0,63 m/s
Serve 9 pisos;
Cabina forrada a madeira;
Sem casa da máquina, com acionamento por variação eletrónica de frequência;
– EL.7
Monta-pianos
Este enorme elevador tem como função principal transportar para a boca de cena equipamentos e instrumentos musicais (pode transportar dois pianos de cauda), cravos, órgãos, percussão e outros, que se encontram armazenados na arrecadação no piso -3. As suas grandes dimensões, a carga útil e a suspensão 4/1 são fora do vulgar e únicas em Portugal.
Características
Carga útil: 9250 kg, 123 pessoas
Velocidade: 0,63 m/s
Serve 6 pisos
- Cabina com planta trapezoidal de 2,4 m de altura, forrada à madeira alcochada.
- Portas de patamar automáticas de abertura central com 4 folhas e abertura total de 4 m.
- Máquina com redutor e motor de 48 kW, com acionamento por variação eletrónica de frequência.
- Suspensão 4/1, com 7 cabos de aço de 16 mm de diâmetro
(assim estão previstas 2 rodas de desvio na cabina, idem no contrapeso e também na casa da máquina).
Agradecimentos
Eng. Gilberto Gomes, Coordenador da Gestão do Edifício da Casa da Música.
Sugestões de leitura
– Casa da Música, arquitetura, engenharia e acústica.
Edição especial da Revista Arquitetura e Vida, fevereiro 2004;
– Há engenharia na Casa da Música
Edição da Ordem dos Engenheiros, Região Norte, dezembro 2021;
– Os elevadores da Casa da Música, Antonio Vasconcelos
Revista Elevare, abril 2025;
*Fotos de autoria do autor do artigo.
SOBRE O AUTOR

António Carlos de Andrade Figueiredo Vasconcelos é licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em Portugal. Fez toda sua vida profissional na Efacec, tendo ocupado diversos cargos, como responsável pelos Estudos da Divisão de Elevadores, Chefe de Divisão de Elevadores e Chefe da Divisão de Sistemas de Sinalização e Tração. É Membro da Ordem dos Engenheiros, com o título de Especialista em Transportes e Vias de Comunicação. É colaborador da revista online “Elevare”, assinando a rubrica “Ascensores com história”.










