Precisamos pensar não apenas no futuro dos novos elevadores, mas também no futuro dos antigos.
Diferentemente de muitas outras máquinas, o elevador atravessa gerações. A indústria de elevadores cresce organicamente todos os anos. Instalamos milhares de novos equipamentos, mas quase nenhum é removido. Isso significa que o número de unidades em manutenção cresce permanentemente — e mais rápido do que o número de técnicos que ingressam no mercado.
Para resolver essa lacuna, precisamos profissionalizar a formação técnica, acelerar o aprendizado, digitalizar a manutenção, reter talentos e atrair uma nova geração de profissionais. Porque nosso maior desafio não são os elevadores — são as pessoas que os mantêm seguros.
O desafio da mão de obra na indústria de elevadores: O setor mudou, mas a mão de obra carrega dois mundos
O mercado de elevadores vive um paradoxo raro na indústria:
• Equipamentos antigos (30, 40, 50 anos) continuam em operação, exigindo conhecimento técnico tradicional e experiência prática acumulada.
• Novas tecnologias (eletrônica embarcada, inversores de frequência, comunicação digital, IoT, inteligência artificial, portas automatizadas de alta performance) exigem competências modernas em informática, mecatrônica e redes.
O resultado é que a mesma empresa precisa formar dois perfis profissionais simultaneamente:
- Técnicos capazes de compreender e manter sistemas eletromecânicos antigos, com contatos, relés e painéis muitas vezes sem documentação disponível.
- Técnicos preparados para diagnósticos digitais, parametrizações, interfaces eletrônicas, sensores e protocolos modernos de comunicação.
É como se uma empresa de tecnologia tivesse que manter especialistas em máquinas de escrever e, ao mesmo tempo, programadores de software de última geração. Pouquíssimos setores enfrentam uma dualidade tão extrema.
Modernização e segurança: uma questão estrutural
Como a modernização do parque de elevadores envelhecido do Brasil pode melhorar a segurança de usuários e técnicos?
“Os elevadores são considerados o meio de transporte mais seguro do mundo — mas isso só é verdade quando três condições estão presentes: manutenção adequada, proteção efetiva aos técnicos de serviço e atualização tecnológica contínua.”
Como apresentado no Simpósio, o número de acidentes com elevadores no Brasil vem aumentando ano após ano, envolvendo tanto técnicos quanto usuários — e os números continuam crescendo neste ano. A taxa de mortalidade proporcional ao número de elevadores instalados é superior à observada em diversos outros países.
Muitas unidades permanecem em operação por décadas sem qualquer atualização significativa, deixando de atender às normas de segurança mais recentes. Essa ausência de modernização aumenta o risco de acidentes, especialmente quando comparada a países onde atualizações periódicas são obrigatórias por lei.
Modernização, portanto, não significa apenas “botões novos e uma cabine mais bonita”. Quando segue a NBR 16858-7 e a filosofia EN/ISO, ela promove a atualização sistemática de toda a cadeia de segurança do elevador — desde os dispositivos de proteção até os sistemas de controle e monitoramento.
“O elevador é talvez o único setor que exige, simultaneamente, conhecimento de máquinas de 50 anos e domínio de tecnologia digital de última geração.
É como se precisássemos de técnicos de máquinas de escrever e de informática trabalhando lado a lado. O desafio da mão de obra não é apenas quantitativo — é um desafio de memória técnica, cultura profissional, responsabilidade e segurança.”
Fábio Aranha em sua participação no Painel “O Futuro do Transporte Vertical Seguro”, do IEES – International Elevator & Escalator Symposium, em Buenos Aires
Painel: O Futuro do Transporte Vertical Seguro
Moderador: John Van Vliet – Managing Director, Liftinstituut, Países Baixos
Participantes:
• Fernando Lueje – Director General Wittur Argentina e Director Comercial LATAM
• Fábio Eduardo Becker Aranha – President, Mercosul Lift Association, Brasil
• John Mezzo – President, Dynasty Elevator, EUA
• Massimo Bezzi – President, EFESME, Bélgica
• Alea Guillemi – Cámara de Ascensores y Afines, Argentina
SOBRE O AUTOR

Fábio Aranha é Engenheiro pela Poli USP, sócio-fundador da Infolev, ex-presidente do SECIESP e atual presidente da AEM – Associação de Elevadores do Mercosul, membro da WEEF e palestrante do Fórum Mundial de Elevadores na Interlift.







