Solução será adotada em sete estações mais profundas do projeto e promete viagens até 75% mais rápidas entre o mezanino e as plataformas, além de maior eficiência energética

O projeto da futura Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo prevê uma mudança significativa na estratégia de transporte vertical das estações mais profundas. Em sete das 19 paradas previstas, baterias de elevadores substituirão as escadas rolantes como principal meio de acesso entre o mezanino e as plataformas. A medida será aplicada em estações com profundidade igual ou superior a 25 metros e, segundo o Metrô de SP, poderá reduzir em até 75% o tempo de deslocamento dos passageiros.
O maior exemplo será a estação Sumaré, projetada para atingir 70 metros de profundidade. No local, o trajeto entre o mezanino e a plataforma deverá ser realizado em apenas 1 minuto e 13 segundos por elevador, enquanto o mesmo percurso levaria cerca de 4 minutos e 42 segundos por escadas rolantes. A estação contará com 16 elevadores organizados em quatro baterias de quatro equipamentos, além de escadas rolantes.
Já a estação Santa Maria, em Osasco, receberá oito elevadores. Os equipamentos previstos terão capacidades para 14, 33 ou 40 passageiros, conforme a necessidade operacional de cada estação. As baterias serão implantadas principalmente em trechos com demanda estimada de aproximadamente 5 mil passageiros por hora, por sentido.
De acordo com Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de planejamento do Metrô, a adoção da solução está relacionada às características geográficas do traçado. “A escada rolante, em espiral nos pisos, aumenta o tempo de viagem”, afirmou. Ele acrescentou que “à medida que a linha se afasta dos vales dos rios Pinheiros e Tietê, o terreno se torna mais irregular, exigindo estações mais profundas”.
Além da redução no tempo de deslocamento, o Metrô destaca benefícios relacionados à segurança, ao custo de implantação e à eficiência energética. Segundo a companhia, cerca de metade dos acidentes registrados na rede ocorre em escadas rolantes, enquanto os elevadores ocupam menor área e podem reduzir em até 90% o consumo de energia em comparação com esse tipo de equipamento.
Ferreira ressalta, porém, que o modelo é indicado para linhas com demanda intermediária. “Não daria para fazer isso na linha 3-vermelha, por exemplo”, afirmou. Com 29 quilômetros de extensão e 19 estações subterrâneas, a Linha 22-Marrom ligará Cotia e Osasco à estação Sumaré, na Linha 2-Verde, e encontra-se atualmente na fase de contratação do projeto básico. A previsão de entrada em operação é de, pelo menos, dez anos.







