A força da construção coletiva
O crescimento das mulheres no setor de elevadores passa pela união, preparo e construção de um ambiente mais colaborativo. O setor de elevadores é, sem dúvida, um dos mais técnicos e tradicionais do mercado. Nos últimos anos, temos acompanhado um movimento importante: o aumento da presença feminina em diferentes áreas — da gestão à operação. Esse avanço é positivo e necessário.
Entretanto, surge um ponto de reflexão que precisa ser tratado com maturidade: como nós, mulheres, estamos nos posicionando dentro desse crescimento? A participação ainda acontece de forma desigual, tanto nas atividades operacionais, mas principalmente em funções com poder de decisão. Segundo a Forbes Brasil, as mulheres ocupam cerca de 38% a 39% dos cargos de liderança no país. Apesar disso, a presença feminina ainda diminui significativamente nos níveis mais altos, com apenas cerca de 6% das posições de topo sendo ocupadas por mulheres.
| Nível de Liderança | Porcentagem de Ocupação |
| Cargos de Liderança (Geral) | 38% – 39% |
| Cargos de Topo (CEO) | ~6% |

Análise dos Dados
- A “Base” da Liderança: O índice de 38% a 39% mostra que as mulheres já conquistaram um espaço significativo em cargos de coordenação e gerência média.
- O “Teto de Vidro”: A queda drástica para 6% nos cargos de topo evidencia um fenômeno conhecido como glass ceiling, onde barreiras invisíveis impedem que mulheres cheguem à presidência (CEO) ou conselhos de administração.
- A Disparidade: Na prática, para cada mulher em um cargo de alta cúpula, existem aproximadamente 6,5 mulheres em cargos de liderança intermediária que não conseguem atravessar a última fronteira da hierarquia corporativa.
Nota: Esses números reforçam a necessidade de políticas de diversidade que não foquem apenas na contratação, mas também na retenção e promoção de talentos femininos para o escalão executivo.
Não existem estatísticas específicas para o segmento de elevador, mas é possível afirmar que também seguimos essa proporção. Isso mostra que o movimento não está apenas em entrar no mercado, mas em permanecer, crescer e ocupar espaços estratégicos. Mais do que ocupar espaço, existe um propósito maior por trás desse movimento de ocupação feminina nas posições de decisão: contribuir para o crescimento mais sustentável e saudável das empresas.
Nesse contexto, observa-se que a presença feminina também está associada à transformação do ambiente, das relações dentro do setor e da interação com os clientes. Com essa preocupação em mente, algumas profissionais passaram a refletir e compartilhar suas percepções na Comunidade ElevaDORAS, um grupo que tem por objetivo apoiar as mulheres que atuam no segmento de transporte vertical.
Percepções individuais, reflexões coletivas
As reflexões apresentadas a seguir são baseadas em percepções e experiências compartilhadas de forma coletiva, sem identificação individual. Fala-se muito sobre oportunidade e reconhecimento. No entanto, conforme percepções compartilhadas por profissionais do segmento, existe um aspecto que muitas vezes passa despercebido — e que pode influenciar diretamente o desenvolvimento profissional: a forma como as próprias mulheres se relacionam dentro do setor.
Em muitos ambientes, ainda se observa a presença de comparações, inseguranças e distanciamento entre profissionais, o que pode impactar o avanço coletivo.
Enquanto isso, em diversos contextos, percebe-se que redes de apoio mais estruturadas contribuem diretamente para o fortalecimento profissional. Isso não deve ser visto como crítica, mas como um ponto de aprendizado. Se queremos crescer, ocupar mais espaços e fortalecer nossa presença no mercado, é necessário também olhar para dentro. Menos comparação, mais colaboração. Menos disputa, mais construção conjunta.
Outro ponto essencial é o preparo. Estar em um setor técnico exige constante atualização. Não apenas para acompanhar as demandas do mercado, mas para se posicionar com segurança e propriedade. Em muitos casos, as situações vividas refletem um processo de adaptação do próprio mercado à presença feminina em funções técnicas.
Ainda assim, desafios fazem parte da realidade e, em alguns contextos, há questionamentos iniciais sobre a atuação feminina em atividades técnicas, que tendem a ser superados ao longo da interação e da demonstração de competência. Esse cenário evidencia que, além da técnica, existe também um trabalho contínuo de construção de percepção e credibilidade. O desenvolvimento da maturidade emocional e da postura profissional tem se mostrado essencial para lidar com os desafios do dia a dia.
Outro ponto relevante é a sobrecarga entre responsabilidades profissionais e pessoais, ainda presente na trajetória de muitas mulheres. Equilibrar carreira, família, responsabilidades e expectativas não é simples. Por isso, fortalecer redes de apoio e construir um ambiente mais leve e colaborativo se torna ainda mais essencial. A liderança feminina que o setor precisa não é aquela baseada em confronto, mas em equilíbrio. Equilíbrio entre técnica e gestão, entre firmeza e sensibilidade, entre individualidade e coletivo. E, principalmente, uma liderança que compreenda que crescer de forma isolada não sustenta — crescer junto fortalece.
Hoje, já se observa um movimento consistente de mulheres se conectando, trocando experiências e abrindo espaço umas para as outras. Esse é um caminho sem volta — e, ao mesmo tempo, um caminho que precisa ser fortalecido continuamente. O setor de elevadores tem muito a ganhar com isso: mais diversidade de pensamento, mais inovação e maior conexão com o mercado. No final, não se trata de provar nada para ninguém. Trata-se de construir algo maior — juntas.
Este espaço também nasce com esse propósito.
Mais do que uma coluna, a ideia é construir um canal de troca onde outras mulheres do setor possam compartilhar suas visões, experiências e aprendizados. A construção desse movimento não é individual — ela acontece na conexão, na escuta e na contribuição de quem vive o dia a dia do setor. Este é um convite para que mais mulheres, assim como eu, participem e façam parte dessa construção.
SOBRE A AUTORA

Jaqueline Novais (@jacknovais) é Gerente Administrativa da Astech Elevadores,
empresa familiar com atuação na Baixada Santista. Formada em Administração de Empresas, cresceu dentro do setor e hoje atua diretamente na gestão administrativa, acompanhando de perto a operação, os processos e o relacionamento com clientes. É uma das idealizadoras do projeto “Elevadoras” (@elevadorass), iniciativa voltada a dar visibilidade, voz e desenvolvimento às mulheres no segmento de elevadores, promovendo conexões e incentivando a evolução do setor de forma equilibrada e colaborativa.







