O elevador da central hidro-elétrica do Alto Lindoso

O mais rápido de Portugal (4m/s)

O aproveitamento hidro-elétrico do Alto Lindoso, localiza-se no rio Lima, (que deságua na cidade de Viana do Castelo, no norte de Portugal), à escassas centenas de metros da fronteira com a Comunidade Autônoma da Galiza, Espanha, e entrou em serviço em 1992.

Foi mandado construir pela EDP e a característica mais saliente da central do Alto Lindoso é a potência total dos seus dois grupos geradores – 634 MW – fato que o tornou uma das mais potentes unidades de produção de energia elétrica instalada em Portugal.

O Aproveitamento hidro-elétrico do Alto Lindoso é constituído por:

– Barragem de betão, do tipo abóbada de dupla curvatura, com 110 m de altura máxima e desenvolvimento no coroamento de 297 m;

– Central subterrânea equipada com dois grupos geradores, cada um deles constituído por uma turbina tipo Francis de 317 MW e um alternador de 350 MVA;

– Posto de comando e Subestação no exterior de 18/400 kV, com 6 transformadores monofásicos (3 por grupo gerador).

Este Posto liga com a Central subterrânea através de um poço circular, com diâmetro de 6,80m e altura de 350m, no qual se instalaram os barramentos dos alternadores e os cabos de comando e ainda acessos verticais por uma escada e um elevador de características únicas em Portugal, construído pela empresa Otis Elevadores, com um curso de 341,35m; desde então, sendo o elevador mais rápido de Portugal (4m/s).

Obviamente, o aceso à central é também efetuado por uma estrada, por onde passam os equipamentos eletromecânicos da centra.

Principais características do elevador

  • Número de paragens: 9
  • Duração da viagem direta entre paragens extremas: cerca de 90 segundos
  • Cabina: Capacidade para 10 pessoas (750 Kg), equipada de roçadeiras de roletes
  • Abertura das portas de patamar: 700 mm
  • Máquina gearless, da Otis Elevadores, modelo 155 T de duplo enrolamento acionada por motor eléctrico de Cc contínua, com uma potência 43,3Kw, 226 r.p.m., por sua vez, comandado por conversor eletrônico
  • Diâmetro da roda de cabos: 685 mm
  • Suspensão diferencial
  • Número de cabos: 5 cabos de 13 mm de diâmetro, de baixo alongamento
  • Sistema de comando: Modelo OTIS ELEVONIC 411, tipo microprocessador
  • Cabo de manobra com uma construção especial, com cabos de aço no interior para suportar o peso.

Pela sua relevância, o Aproveitamento Hidroelétrico do Alto Lindoso recebeu o Prêmio Internacional “Puente de Alcantara” IV edição (1992-1993).

Agradecimentos
– Dr.ª Vera Dourdil, Diretora de Marketing e Comunicação da Octis Elevadores Portugal.

Bibliografia

– Aproveitamento Hidroeléctricos de Alto Lindoso e Touvedo, EDP, 1993

– EDP. Centros Produtores, 2006

SOBRE O AUTOR

António Carlos de Andrade Figueiredo Vasconcelos é licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em Portugal. Fez toda sua vida profissional na Efacec, tendo ocupado diversos cargos, como responsável pelos Estudos da Divisão de Elevadores, Chefe de Divisão de Elevadores e Chefe da Divisão de Sistemas de Sinalização e Tração. É Membro da Ordem dos Engenheiros, com o título de Especialista em Transportes e Vias de Comunicação. É colaborador da revista online “Elevare”, assinando a rubrica “Ascensores com história”.

António Vasconcelos
António Vasconcelos
António Carlos de Andrade Figueiredo Vasconcelos é licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em Portugal. Fez toda sua vida profissional na efacec, tendo ocupado diversos cargos, como responsável pelos Estudos da Divisão de Elevadores, Chefe de Divisão de Elevadores, Chefe da Divisão de Sistemas de Sinalização e Tracção e Membro da Ordem dos Engenheiros, com o título de Especialialista em Transportes e Vias de Comunicação. Publicou vários livros sobre transportes ferroviários, como “As pontes dos rios Douro e Tejo”, “Os troleicarros do Porto”, “A Ponte Luiz I” e “Elevadores com história”. É colaborador da revista online “Elevare”, assinando a rubrica “Ascensores com historia” e Colaborador da revista ferroviária Bastão Piloto.

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