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Internacional

Revista Elevador Brasil na NAEC em Chicago

Revista Elevador Brasil na NAEC em Chicago
Entrada da 77ª Convenção e Exposição da NAEC, no McCormick Place, em Chicago, em 30 de setembro.

A viagem incluiu a 77ª convenção da associação americana de empresas independentes de elevadores e uma visita ao arranha-céu cujos elevadores foram modernizados pela Otis

Daniel Almeida, da Revista Elevador Brasil, esteve em Chicago, nos Estados Unidos, para acompanhar a 77ª Convenção e Exposição da NAEC (National Association of Elevator Contractors), realizada de 28 de setembro a 1º de outubro de 2026. A viagem incluiu também uma visita ao Skydeck, o mirante da Willis Tower, a antiga Sears Tower, cujos elevadores foram modernizados pela Otis.

NAEC: a feira das empresas independentes

A NAEC reúne empresas independentes de instalação, manutenção e modernização de elevadores dos Estados Unidos, além de fornecedores de equipamentos e serviços. Foi fundada em 1950 por um grupo de distribuidores da Montgomery Elevator, num mercado em que Otis e Westinghouse detinham cerca de 85% das vendas, segundo a Elevator World. Hoje tem mais de 700 membros, sede em Conyers, na Geórgia, e mantém o programa de certificação de técnicos CET (Certified Elevator Technician).

Estande da UNITEC na NAEC 2026
Estande da UNITEC, divisão de peças do grupo Otis.

A edição de 2026 ocupou o Hyatt Regency McCormick Place e o Lakeside Center, parte do complexo McCormick Place, o maior centro de convenções da América do Norte. O diretório oficial listava 224 expositores na abertura. Segundo a organização, a convenção costuma reunir cerca de 2 mil donos de empresas e profissionais do setor, entre a exposição e as sessões técnicas e de formação.

Corredores da exposição da NAEC 2026
Corredores da exposição da NAEC 2026.
Painel no palco da convenção da NAEC
Painel no palco da convenção.

Nos corredores, os expositores mostravam de máquinas de tração e comandos a corrimãos, correntes para escadas rolantes, botoeiras e softwares de gestão para conservadoras. Entre eles estavam as divisões de peças das grandes fabricantes, como a UNITEC, do grupo Otis, a TKE Spare Parts e a KONE Spares, que vendem componentes às empresas independentes responsáveis pela manutenção de equipamentos de várias marcas. Também havia fabricantes europeus e asiáticos e um pavilhão da VFA-Interlift, associação alemã que é patrocinadora técnica da Interlift.

Estande da KONE Spares na NAEC 2026
Estande da KONE Spares.
Estande da TKE na NAEC 2026
Estande da TKE.

Na feira, a Revista visitou os estandes da Semperit, KettenWulf, Liftkeeper, ELA, Ziehl-Abegg, Vega, CEDES e Monarch (Inovance), além do pavilhão da VFA-Interlift, e conversou com executivos sobre o mercado brasileiro. Para quem pretende vender no Brasil, a diferença de normas pesa: os Estados Unidos seguem o código ASME A17.1, enquanto o Brasil adota a ABNT NBR 16858, baseada nas europeias EN 81-20 e EN 81-50. Por isso, nem todo produto exposto em Chicago pode ser aplicado aqui sem adaptação.

Mick Carmona e Daniel Almeida no estande da Semperit
Mick Carmona e Daniel Almeida no estande da Semperit.
Sebastian Preuss e Daniel Almeida no estande da KettenWulf
Sebastian Preuss e Daniel Almeida no estande da KettenWulf.
Shae Sealey e Daniel Almeida no estande da Liftkeeper
Shae Sealey e Daniel Almeida no estande da Liftkeeper.
Jimmy He, Leonardo Galdino e Daniel Almeida no estande da ELA
Jimmy He, Leonardo Galdino e Daniel Almeida no estande da ELA.
Marc Hirsch e Daniel Almeida no estande da Ziehl-Abegg
Marc Hirsch e Daniel Almeida no estande da Ziehl-Abegg.
Claudio Acciarri, Daniel Almeida e Bernardo Santos no estande da Vega
Claudio Acciarri, Daniel Almeida e Bernardo Santos no estande da Vega.

O público da NAEC tem perfil parecido com o das conservadoras independentes brasileiras: empresas que fazem manutenção e modernização de equipamentos de várias marcas e dependem de fornecedores de peças e componentes.

Chicago, a cidade onde nasceu o arranha-céu

Chicago é a terceira maior cidade dos Estados Unidos, com cerca de 2,7 milhões de habitantes, segundo o Censo de 2020. Fica no estado de Illinois, às margens do Lago Michigan, e tem um dos conjuntos de edifícios altos mais conhecidos do mundo.

Essa paisagem começou a se formar depois do Grande Incêndio de 1871, que destruiu boa parte do centro e deixou cerca de 300 mortos. Na reconstrução, a cidade passou a erguer prédios mais altos sobre estruturas de aço. O Home Insurance Building, de dez andares, projetado por William Le Baron Jenney e concluído em 1885, é considerado o primeiro arranha-céu da história. Foi demolido em 1931.

Esses prédios dependiam de um elevador seguro para passageiros. O freio de segurança que Elisha Otis apresentou em Nova York, em 1854, impedia a queda da cabina se o cabo se rompesse, e foi o que tornou possível ocupar os andares mais altos.

Chicago vista do Skydeck da Willis Tower
Chicago vista do Skydeck, no 103º andar da Willis Tower.

Willis Tower: a maior modernização da história da Otis

A Willis Tower foi concluída em 1973 com o nome de Sears Tower, para abrigar a sede da Sears, Roebuck & Co. Com 110 andares e 442 metros, foi o edifício mais alto do mundo até 1998. O projeto é do escritório Skidmore, Owings & Merrill (SOM), com o arquiteto Bruce Graham e o engenheiro estrutural Fazlur Rahman Khan, autor da estrutura de nove tubos de aço agrupados. O nome mudou em 2009, e desde 2015 a torre pertence ao grupo Blackstone.

A Willis Tower vista do Lago Michigan
A Willis Tower vista do Lago Michigan.

Segundo o museu do Skydeck, o prédio tem 107 elevadores, 14 deles double-deck, que transportam 20 mil pessoas por dia. A torre é dividida em três zonas: os double-deck seguem sem paradas até os saguões de transferência (sky lobbies) dos andares 33/34 e 66/67, onde os passageiros trocam para os elevadores locais. Os dois elevadores do Skydeck, mirante do 103º andar, a 412 metros do chão, chegam a 9 metros por segundo, segundo o guia oficial, e fazem a subida em cerca de um minuto.

Painel do museu do Skydeck com as zonas de elevadores da Willis Tower
Painel do museu do Skydeck mostra as três zonas de elevadores e os dois sky lobbies da torre.

Os elevadores originais eram da Westinghouse. A modernização feita pela Otis começou em 2017 e, segundo a fabricante, é a maior de sua história. Incluiu a troca dos dois elevadores do Skydeck e de seus trilhos, a modernização de 83 elevadores, com a substituição de todas as máquinas, e a instalação de 10 elevadores novos e seis escadas rolantes. Os equipamentos passaram à linha SkyRise, com despacho por destino CompassPlus e acionamento regenerativo. A obra foi feita com o prédio ocupado: segundo a administração da torre, cada elevador levava de quatro a seis meses para ser reconstruído. No anúncio do contrato, em 2018, a Otis estimou redução de até 30% no tempo de viagem nos horários de pico e de cerca de 35% no custo de energia.

A OBRA DA OTIS

  • Skydeck: 2 elevadores substituídos, com trilhos em 105 andares
  • Modernização: 83 elevadores, com troca de todas as máquinas
  • Novos: 10 elevadores e 6 escadas rolantes
  • Double-deck: 14 elevadores; 97 cabinas no total
  • Percurso: até 426 m · Capacidade: até 5.000 kg
  • Despacho: por destino, CompassPlus
Fotos: Revista Elevador Brasil.
Fontes: NAEC; Elevator World; Otis (informações enviadas à Revista e comunicado de 3 de maio de 2018); Willis Tower; Skydeck Chicago (museu e guia oficial); Censo dos Estados Unidos.