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Operação europeia da TK Elevator pode ser vendida a fundo de investimento

Operação europeia da TK Elevator pode ser vendida a fundo de investimento
Torre da TKE em Atlanta (EUA), sede da empresa nas Américas, com o painel de LED aceso — Foto: Divulgação/TKE

KONE prepara a venda da maior parte da operação da TKE na Europa para obter o aval dos órgãos de defesa da concorrência. Especialista aposta em um fundo como comprador e em preço acima de € 7 bilhões

A finlandesa KONE prepara a venda da maior parte da operação europeia da TK Elevator (TKE), a fabricante alemã cuja compra anunciou em abril. Para o especialista em fusões e aquisições Lars Watermann, em análise publicada em 14 de outubro pela revista alemã LIFTjournal, o comprador mais provável é um fundo de private equity, como são chamados os fundos que compram o controle de empresas, e não uma fabricante concorrente.

O plano de venda foi revelado pela agência Reuters em 1º de outubro, com base em fontes que acompanham o negócio. Segundo a agência, a KONE quer abrir o processo antes do fim do outono europeu, ou seja, até dezembro. A divisão responde por mais de um quarto do faturamento da antiga subsidiária da Thyssenkrupp. À Reuters, a KONE disse que sempre considerou a possibilidade de vender operações em algumas regiões para conseguir a aprovação dos reguladores. Analistas do Citi calculam que a venda pode render cerca de € 2,1 bilhões (aproximadamente R$ 11,8 bilhões, pela cotação de 13 de outubro).

De acordo com o LIFTjournal, a TKE já se organizou para esse cenário. Em 16 de julho, a empresa comprou uma sociedade limitada já registrada e sem atividade, a chamada “empresa de prateleira”, e em meados de agosto a rebatizou de TK Europe Holding GmbH (GmbH é o equivalente alemão da nossa Ltda.). Aquisições futuras na Europa Central podem passar por essa holding.

A aposta no fundo de investimento tem explicação concorrencial. Schindler e Otis já têm posição forte no mercado europeu e correriam o risco de ver a compra barrada pelos órgãos antitruste. Por isso, pessoas do setor ouvidas pela publicação dão como provável que a nova holding seja vendida a um fundo nos próximos meses. Na edição de julho do LIFTjournal, Watermann já havia previsto que os reguladores não aprovariam a fusão completa e que os principais mercados europeus ficariam fora do negócio.

Mesmo assim, a Schindler vê na venda uma oportunidade de crescer por aquisição, como informou o jornal suíço Finanz und Wirtschaft em 2 de outubro. Ao LIFTjournal, o grupo disse que vai avaliar cada oportunidade pelo encaixe estratégico, pelo potencial de gerar valor e pelas exigências regulatórias. As japonesas Mitsubishi Electric e Fujitec também estão entre as interessadas, como a Revista EB noticiou em 7 de outubro. Na ocasião, a operação foi avaliada em cerca de € 5 bilhões.

Watermann acredita que o preço ficará bem acima da estimativa do Citi: mais de € 7 bilhões (mais de R$ 39 bilhões). A conta dele parte do valor que a KONE vai pagar pela TKE, € 29,4 bilhões, dividido pela carteira de conservação da empresa, de mais de 1,4 milhão de equipamentos. O resultado é de cerca de € 20 mil por equipamento em conservação (cerca de R$ 112 mil). Europa e África respondem por 27% do faturamento da TKE, ou € 2,48 bilhões de um total de € 9,2 bilhões. Aplicando o mesmo percentual à carteira, o especialista chega a cerca de 380 mil equipamentos na Europa e a um valor próximo de € 7,6 bilhões (cerca de R$ 42,6 bilhões). A manutenção responde por € 4,42 bilhões do faturamento da TKE.

A KONE anunciou em abril a compra da TKE por € 29,4 bilhões (cerca de R$ 165 bilhões). O negócio ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores. Os principais donos da TKE, os fundos Advent e Cinven, compraram a empresa da Thyssenkrupp em 2020 por cerca de € 17 bilhões.

As informações tratam apenas da Europa. Nenhuma das fontes menciona mudança na operação da TKE no Brasil, onde a empresa tem fábrica em Guaíba (RS) e inaugurou em agosto um centro de desenvolvimento de produtos.

Com informações do LIFTjournal e da Reuters.