Meio milhão de elevadores impedem o desligamento da rede 2G na Espanha

Mais de 70% dos elevadores conectados ainda utilizam a tecnologia para chamadas de emergência

A despedida definitiva das redes 2G e 3G na Espanha está se mostrando mais complexa do que o esperado. Embora essas tecnologias tenham mais de duas décadas e mantê-las ativas represente um custo elevado e um consumo de energia superior ao das redes atuais, uma grande quantidade de serviços críticos ainda depende delas.

Entre os dispositivos que mantêm essa tecnologia em funcionamento estão os medidores de energia, os sistemas de teleassistência, os alarmes e, especialmente, os elevadores.

O setor de elevação: 600 mil elevadores em risco

O caso dos elevadores é o mais preocupante por sua ligação direta com a segurança da população. A Espanha é o país europeu com o maior número de elevadores instalados, com um parque total de cerca de 1,1 milhão de unidades. Segundo dados do setor, mais de 70% dos elevadores conectados ainda dependem da rede 2G para realizar chamadas de emergência.

De acordo com a Zona Movilidad, desse total, estima-se que entre 550 mil e 600 mil elevadores operem exclusivamente com módulos 2G instalados ao longo da última década. Essa dependência entra em conflito com a nova regulamentação (Instrução Técnica Complementar ITC AEM 1), que obriga a disponibilidade de um sistema de comunicação bidirecional operante 24 horas por dia, capaz de funcionar inclusive durante quedas de energia elétrica.

Caso a rede 2G seja desligada e o equipamento não tenha sido atualizado, o elevador não conseguiria realizar o autoteste obrigatório a cada 72 horas e seria automaticamente retirado de operação por questões de segurança.

Estima-se que a substituição desses módulos por tecnologia 4G ou IoT represente um investimento para os condomínios superior a 150 milhões de euros em todo o país, com um custo entre 300 e 600 euros por elevador.

Calendário de migração das operadoras

O desligamento não avança no mesmo ritmo em todas as empresas, o que tem gerado certa confusão no setor. Enquanto o 3G já é considerado praticamente extinto em todo o território, o 2G resiste como suporte para serviços críticos.

A Movistar é a operadora com o cronograma mais ambicioso. Já desligou o 3G e previa encerrar o 2G em 2025, mas a forte dependência de elevadores e medidores obrigou a adiar o prazo para 2026.

A Vodafone concluiu o desligamento do 3G em 2024. Ela manterá o 2G até 2030, reservando essa rede quase exclusivamente para serviços M2M (comunicação entre máquinas).

A Orange (MasOrange), após desligar o 3G entre 2024 e o início de 2025, optou por uma estratégia mais conservadora para o 2G e fixou dezembro de 2030 como data-limite, a fim de dar mais prazo às empresas de manutenção.

Consulta pública do Governo

Diante desse cenário, o Ministério da Transformação Digital e da Função Pública abriu uma consulta pública para reunir informações de operadoras e agentes afetados. O objetivo é garantir uma transição ordenada que proteja o usuário e assegure a continuidade de serviços vitais, como o 112.

Essa consulta, que ficará aberta até 20 de janeiro de 2026, questiona especificamente as estratégias de comunicação com os clientes e as medidas voltadas a grupos vulneráveis e a dispositivos específicos, como o eCall dos veículos ou os sistemas de teleassistência. A liberação dessas frequências (faixas de 900 e 2100 MHz) é fundamental para melhorar a cobertura e a capacidade das redes 4G e 5G.

Reproduzido e traduzido integralmente de Mobile World Live.

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