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Economia

Índice Revista Elevador Brasil de Contratos Públicos

Levantamento nacional inédito da Revista: 548 contratos do PNCP revelam a mediana nacional do preço contratado da manutenção de elevadores, o mapa por estado e o prêmio dos contratos grandes.

Capa da 1ª edição do Índice Revista Elevador Brasil de Manutenção de Elevadores Públicos
A capa da 1ª edição do Índice, de agosto de 2026.

A Revista Elevador Brasil lança seu levantamento nacional inédito: um índice do preço contratado na manutenção de elevadores públicos. O valor mediano contratado por órgãos públicos brasileiros é de R$ 750,00 por elevador, por mês. O número sai de 548 contratos: dos 3.556 contratos de manutenção localizados no Portal Nacional de Contratações Públicas, são os que foram assinados nos últimos 24 meses, tratam exclusivamente de elevadores e informam quantos elevadores cobrem. Esse é o dado que falta na maior parte deles, e sem ele não existe preço por elevador.

→ O Índice fica na seção de pesquisas da Revista, sempre com o número mais recente e o histórico das edições: Pesquisas da Revista Elevador Brasil.

Até hoje, o setor não tinha nenhuma referência pública de preço. O valor que um condomínio paga é informação privada, e a precificação sempre se deu por comparação informal. As contratações públicas são a única janela aberta sobre esse mercado: cada uma é publicada documento por documento, com valor, prazo, escopo e fornecedor. Só uma minoria delas declara também quantos elevadores o contrato cobre, e é essa minoria, verificável uma a uma, que sustenta o Índice.

Ficha técnica

O que o Índice mede: o valor efetivamente contratado por órgãos públicos brasileiros para manutenção de elevadores, expresso em reais por elevador, por mês. Contratos que misturam elevadores com plataformas, monta-cargas ou escadas rolantes ficam fora do recorte, registrados na base de exclusões. Vale também quando o objeto chama o equipamento de “elevador tipo plataforma” ou “elevador monta-pratos”: plataforma de acessibilidade, monta-carga e monta-prato têm norma técnica e custo de manutenção próprios, e não entram.

Fonte: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), instituído pela Lei nº 14.133/2021. Levantamento próprio, com varredura que localizou 3.556 contratos de manutenção depois de retiradas as linhas duplicadas, a maior parte sem os dados específicos necessários ao cálculo. Sobram 548 contratos exclusivamente de elevadores, com dados aproveitáveis (valor, prazo e número de elevadores declarados) e assinados dentro da janela móvel de 24 meses. São eles que formam a base publicada nesta edição.

Cálculo: valor global do contrato dividido pelos meses de vigência e pelo número de elevadores. Estatística: mediana, com 1º e 3º quartis. Vigência: contada em meses-calendário. Janela: móvel de 24 meses, recalculada a cada semestre.

Escopo: o levantamento cobre apenas contratações públicas. O mercado privado de condomínios pratica valores próprios, não cobertos por este levantamento.

A metodologia completa, com critérios de inclusão, exclusões e regra de amostra, está ao final desta reportagem.

O número

Distribuição R$ por elevador/mês
1º quartil (25% dos contratos custam até este valor) 489,00
Mediana 750,00
3º quartil (25% dos contratos custam a partir deste valor) 1.217,00

Na janela de 12 meses o valor é de R$ 786,00, uma diferença de menos de 5%. A proximidade entre as duas janelas indica que o número não é sensível a variações pontuais.

A série anual, e por que ela ainda não permite falar em tendência

Gráfico de barras com a mediana do preço de manutenção de elevador por ano, de 2022 a 2026
Mediana por ano de assinatura. A série considera, em cada ano, todos os contratos com os dados necessários ao cálculo, inclusive os anteriores à janela de 24 meses do número principal. Os anos de 2022 e 2023 têm amostra reduzida; 2026 está incompleto, com contratos disponíveis no PNCP até 12 de agosto.

Esta edição não publica variação acumulada, e a razão é metodológica. O resultado dependeria inteiramente do ano escolhido como base: partindo de 2022, que tem apenas 21 contratos, a alta seria de 25%; partindo de 2023, de 8%; partindo de 2024, que tem 260 contratos, de 4%.

O ano que produziria a variação mais impressionante é justamente o de menor amostra. Publicar o primeiro número seria escolher o mais favorável em vez do mais confiável.

O que a série permite afirmar com segurança: entre 2024 e 2026, os três anos com amostra robusta, o preço mediano oscilou entre R$ 710,00 e R$ 785,00, sem tendência definida. O pico de 2025 e a queda de 2026 podem ainda refletir defasagem de publicação, já que contratos recentes continuam entrando no portal. A comparação com a inflação será publicada quando a série tiver quatro anos consecutivos com amostra suficiente.

O Norte contrata 80% mais caro que o Sul

Gráfico de barras comparando o preço mediano da manutenção de elevador nas cinco regiões do Brasil
Mediana por região, janela de 24 meses.

A hipótese mais plausível é a logística, somada à menor densidade de fornecedores. Um levantamento descritivo não permite isolar as causas da diferença. O indício mais documentado está no Pará: duas licitações do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região para manutenção em Paragominas não chegaram a contrato: uma ficou deserta, sem nenhuma proposta, e a outra terminou fracassada, sem proposta aceita ou fornecedor habilitado. Onde a rota é longa e o parque é rarefeito, ou o preço sobe, ou ninguém aparece.

Por estado: no Rio, o contrato custa 45% mais que em São Paulo

Gráfico de barras com o preço mediano da manutenção de elevador em onze estados brasileiros
Apenas estados com amostra mínima de 15 contratos são publicados.

São Paulo, que concentra o maior parque de elevadores do país, aparece na metade inferior da tabela. O maior mercado é também um dos mais apertados em preço.

Não foram publicados, por amostra insuficiente: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. O Piauí não aparece porque não teve nenhum contrato aproveitável na janela.

Contrato maior custa 47% mais por elevador

Gráfico de barras mostrando que o preço por elevador sobe conforme aumenta o número de equipamentos no contrato
Mediana por número de elevadores no contrato.

O preço por elevador é 47% maior no contrato de dez ou mais elevadores do que no de um só. O resultado contraria a intuição de desconto por volume. A associação é bruta, já que o levantamento não separa o efeito de cada fator, mas o perfil do cliente ajuda a explicar: contratos grandes concentram hospitais, tribunais e universidades, com prazos de atendimento mais curtos, exigência técnica maior e risco operacional mais alto.

Quem contrata, como contrata e quem executa

Esfera Contratos Mediana
Estadual 198 R$ 848,00
Federal 184 R$ 737,00
Municipal 157 R$ 667,00

Nove contratos pertencem a categorias diferentes das três esferas exibidas: 8 classificados como “Não se aplica” e 1 distrital. O município é o comprador que contrata mais barato, e o que mais cresce em participação: assinava 23% dos contratos de 2024 e chega a quase um terço dos assinados em 2026.

Modalidade Contratos Mediana
Pregão eletrônico 220 R$ 751,00
Dispensa 237 R$ 656,00
Inexigibilidade 87 R$ 1.205,00

As demais modalidades somam 4 contratos e não entram no recorte. O pregão contrata 14% mais caro que a dispensa, e a inexigibilidade é o recorte mais caro do levantamento. O resultado contraria a expectativa de que a disputa aberta reduza preço. A diferença pode refletir o escopo, já que o pregão costuma cobrir contratos maiores e mais exigentes, enquanto a dispensa concentra contratos pequenos e diretos. Ela não demonstra que a modalidade, por si só, eleve o preço.

Origem da empresa Contratos Mediana
Multinacional 114 R$ 1.030,00
Independente 434 R$ 712,00

O contrato com multinacional custa 1,45 vez o da conservadora independente. A comparação é bruta, sem controle por marca, cobertura de peças ou complexidade do contrato.

Metodologia

O que o Índice mede: o valor efetivamente contratado por órgãos públicos brasileiros para manutenção de elevadores, expresso em reais por elevador, por mês. Contratos que misturam elevadores com plataformas, monta-cargas ou escadas rolantes ficam fora do recorte, registrados na base de exclusões. Vale também quando o objeto chama o equipamento de “elevador tipo plataforma” ou “elevador monta-pratos”: plataforma de acessibilidade, monta-carga e monta-prato têm norma técnica e custo de manutenção próprios, e não entram.

Cálculo: valor global do contrato dividido pelos meses de vigência e pelo número de elevadores declarados no objeto. Entram apenas contratos exclusivamente de elevadores; os que misturam plataformas, monta-cargas ou escadas rolantes ficam na base de exclusões, com o motivo registrado.

Fonte: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), instituído pela Lei nº 14.133/2021. Levantamento próprio, com varredura que localizou 3.556 contratos de manutenção depois da deduplicação, dos quais 548 eram exclusivamente de elevadores e reuniam os dados aproveitáveis (valor, prazo e número de elevadores declarados) dentro da janela móvel de 24 meses.

O funil, regra a regra:

Etapa Contratos
Linhas na fonte 3.590
Duplicatas idênticas removidas −34
Contratos analisados 3.556
Embutem modernização ou reforma −75
Instalação de equipamento novo −45
Aquisição ou compra de equipamento −18
Locação de equipamento −1
Sem valor utilizável ou com valor incompatível −39
Não declaram o número de equipamentos no objeto −2.407
Vigência fora da faixa de 3 a 120 meses-calendário −26
Preço fora da faixa de R$ 30,00 a R$ 15.000,00 por equipamento/mês −17
Calculáveis 928
Não são exclusivamente de elevadores (plataforma, monta-carga, escada rolante ou tipo não declarado) −155
Calculáveis exclusivamente de elevadores 773
Assinados há mais de 24 meses (fora da janela móvel) −225
Base desta edição 548

O corte que mais pesa não é de qualidade, é de informação ausente: 2.407 contratos são de manutenção legítima, mas o órgão não escreveu quantos elevadores o contrato cobre, e sem esse denominador não existe preço por elevador. O dado costuma estar no termo de referência anexo, em PDF, fora da consulta automatizada. É a maior limitação da fonte e a maior alavanca das próximas edições. Já os 225 contratos fora da janela não foram descartados: continuam válidos e alimentam a série anual.

Base aberta: os dois arquivos abaixo trazem o levantamento inteiro, contrato a contrato.

  • Base do Índice: os 548 contratos (CSV, 308 KB). Uma linha por contrato, com órgão, município, UF, esfera, fornecedor, modalidade, datas, dias e meses de vigência, número de elevadores, valor global, o valor por elevador/mês já calculado e o trecho do objeto que gerou a quantidade. A mediana da coluna de preço é o número publicado.
  • Contratos descartados: os 3.008 registros (CSV, 1,5 MB). Cada um com o motivo pelo qual ficou de fora. É esse arquivo que permite contestar o critério, e não apenas o resultado.

Os valores por elevador/mês estão arredondados a duas casas; recalcular valor global dividido por meses e por elevadores reproduz a coluna com diferença máxima de meio centavo. O CPF que o PNCP cola no nome de empresário individual aparece mascarado nos dois arquivos.

Estatística: mediana, acompanhada do 1º e do 3º quartis, calculados pelo método linear, o mesmo das planilhas (Excel e Google Planilhas). Os valores são nominais, sem correção pela inflação. A média não é utilizada porque a distribuição é assimétrica: contratos com exigência de atendimento em uma hora distorcem qualquer média.

Vigência: contada em meses-calendário, e não em blocos de 30,44 dias. Um contrato de 12 de janeiro a 12 de abril tem exatamente três meses.

Janela: móvel de 24 meses, encerrada em 14 de agosto de 2026 e recalculada a cada semestre.

Regra de amostra: publica-se apenas o recorte com no mínimo 15 contratos; abaixo disso a célula é omitida. O número de contratos é informado em todas as tabelas.

Exclusões: obras, locação, instalação de equipamento novo, modernização, compra avulsa de peças e contratos que embutem fornecimento e instalação junto com a manutenção, mais aquisição, compra e locação de equipamento: 139 contratos. Vigências fora da faixa de 3 a 120 meses-calendário: 26 contratos, todos pelo piso, dez deles com início e fim no mesmo dia; o teto de 120 meses não excluiu nenhum contrato, está ali como guarda. Preços fora da faixa de R$ 30,00 a R$ 15.000,00 por elevador/mês: 17 contratos, seis abaixo de R$ 20,00, menos do que custa uma única visita técnica, e onze acima do teto, o maior deles a R$ 62 mil por equipamento/mês. Registros sem valor ou com valor incompatível, indicativo de erro de digitação no portal: 39 contratos. Os limites de preço são deliberadamente largos: R$ 30,00 é pouco mais de 4% da mediana e R$ 15.000,00 é vinte vezes ela. Servem para impedir que um registro errado desloque o resultado, não para moldá-lo.

Escopo: o levantamento cobre apenas contratações públicas. O mercado privado de condomínios pratica valores próprios, não cobertos por este levantamento.

Natureza: o Índice é descritivo. Registra os valores mensais contratados pelo setor público; não constitui recomendação, tabela ou orientação de preço.

Nota da redação

A metodologia acima está publicada para permitir o exame crítico dos critérios utilizados, e a base completa dos 548 contratos está disponível para download logo acima. Correções, críticas e sugestões de recorte são bem-vindas e serão consideradas nas próximas edições.

O Índice Revista Elevador Brasil de Manutenção de Elevadores Públicos tem periodicidade semestral, com edições em agosto e fevereiro. Esta reportagem apresenta a 1ª edição, de agosto de 2026; a seção Pesquisas traz sempre a edição vigente. A próxima atualização está prevista para fevereiro de 2027.

Dados extraídos do PNCP em 12 de agosto de 2026. Reprodução permitida com citação da fonte.