Maturidade para a Indústria 4.0

Por Eng. Paulo Roberto dos Santos

Seguindo nossa jornada para a indústria 4.0, vamos continuar os passos iniciados na edição 167. Já vimos por onde começar: nivelando o conhecimento na empresa, depois falamos da importância de estabelecer uma estratégia de longo prazo, antes de adquirir as tecnologias, e agora vamos ver o conceito de MATURIDADE PARA A INDÚSTRIA 4.0.

Fazer a transição do padrão industrial vigente para o padrão sinalizado pela abordagem da Indústria 4.0 requer a suplantação de uma série de variáveis dentro e fora da empresa. Como vimos nas edições anteriores, é necessário entender os impactos da Indústria 4.0 no ambiente de negócios da empresa, estabelecer objetivos de longo prazo, posicionando a empresa no novo ambiente competitivo. Uma vez que sejam estabelecidos os objetivos, é preciso diagnosticar os requisitos de produção atuais e o grau de maturidade digital atual comparando com as condições ideais requeridas.

Avaliação de maturidade para Indústria 4.0 tem como objetivo fazer um retrato da situação atual da empresa, e permitir uma comparação com os objetivos onde a empresa quer chegar. Existem diversos modelos de avaliação da maturidade para a Indústria 4.0. Cada um adota um critério e diferentes ferramentas para a avaliação, alguns destes estão listados abaixo:

  • Indústria 4.0-MM
  • Industry 4.0 Maturity Model
  • Maturity Model for Data-Driven Manufacturing (M2DDM)
  • The IoT Technological Maturity Model
  • Toolbox Workforce Management
  • Guideline Industrie 4.0 VDMA
  • Industrie 4.0 Maturity Index
  • IMPULS – Industrie 4.0- Readiness
  • SMMI 4.0
  • The Digital Maturity Model 4.0
  • Manufacturing Value Modeling Methodology
  • Avaliação de Maturidade Zorfatec p/ Indústria 4.0 (CNI)

Para que possamos aplicar um destes modelos, é fundamental compreender como é o novo paradigma industrial, presente no ambiente da Indústria 4.0. A seguir descrevemos os principais.

Orientação a serviços: Utilização de arquiteturas de software orientadas a serviços aliado ao conceito de Internet of Services.

Rastreabilidade: Capacidade de localizar o produto em qualquer parte do processo produtivo, e em uso pelo cliente, utilizando conectividade com a Internet para captura de dados.

Modularidade: Produção de acordo com a demanda, acoplamento e desacoplamento de módulos na produção. O que oferece flexibilidade para alterar as tarefas das máquinas facilmente.

Capacidade de operação em tempo real: Consiste na aquisição e tratamento de dados de forma praticamente instantânea, permitindo a tomada de decisões em tempo real.

Mobilidade: Capacidade de conectar-se com o processo produtivo em qualquer lugar e a qualquer tempo, com segurança e em tempo real.

Descentralização: A tomada de decisões poderá ser feita pelo sistema cyber-físico de acordo com as necessidades da produção em tempo real. Além disso, as máquinas não apenas receberão comandos, mas poderão fornecer informações sobre seu ciclo de trabalho. Logo, os módulos da fábrica inteligente trabalharão de forma descentralizada a fim de aprimorar os processos de produção.

Virtualização: Simulações já são utilizadas atualmente, assim como sistemas supervisórios. No entanto, a revolução industrial 4.0 propõe a existência de uma cópia virtual das fabricas inteligentes, permitindo a rastreabilidade e monitoramento remoto de todos os processos por meio dos inúmeros sensores espalhados ao longo da planta.

Vamos apresentar a seguir o modelo desenvolvido pela consultoria, adaptado às condições da indústria nacional, que leva em conta os principais fatores de transformação digital e a realidade de nossa indústria. Proporcionando não apenas a leitura e o grau de maturidade, mas servindo como referência para o desenvolvimento de um plano de ação.

Primeiramente vale ressaltar que consideramos uma análise mais fragmentada da empresa, para que seja possível a criação de um plano de transformação mais eficaz. Desta maneira, a análise está dividida em três níveis: Empresa, Unidade fabril e Processo.

Empresa: Faz uma análise macro da organização, em seu nível mais elevado, avalia diferentes eixos para determinar a maturidade da organização para a Indústria 4.0, utilizando-se para isto uma ferramenta de pesquisa semiestruturada com questões objetivas:

Os resultados são representados em um gráfico, semelhante ao que segue:

Os diferentes níveis de maturidade da empresa podem ser interpretados conforme a classificação a seguir:

Esta classificação não é tão relevante, uma vez que apenas traduz a situação da empresa. Mais relevante, no entanto é o entendimento de cada eixo avaliado, para que seja possível criar um plano de ações para transformação.

Unidade Fabril: Em muitas organizações, encontraremos mais de uma instalação física, as vezes encontramos realidades distintas em cada unidade, quer seja por sua especificidade no processo produtivo, ou devido sua localização, fazendo com que os níveis de maturidade sejam distintos.

Processo: De forma análoga à avaliação da unidade fabril, cada processo tem sua peculiaridade, e consequentemente um nível de maturidade próprio. Por este motivo, definimos eixos específicos para a análise dos processos, que possibilitarão traçar uma estratégia clara para os investimentos em pessoas e tecnologias.

Conclusão: Com a análise de cada nível da organização, seus diferentes processos, a empresa consegue elaborar um plano de transformação robusto, que preservará os investimentos e levará em conta a estratégia de negócio, a inovação, a cultura, a gestão, a operação, enfim, tudo que faz com que uma empresa possa avançar de forma segura, com ganhos reais de competitividade e lucratividade, preconizados para o ambiente da Indústria 4.0.

Nas próximas edições, continuaremos com o processo de transformação para Indústria 4.0, e vamos abordar a análise do nível de maturidade.

SOBRE O AUTOR

Paulo Roberto dos Santos

Sócio Diretor da Zorfatec, consultoria em Inovação Tecnológica, Engenheiro Industrial Mecânico, MBA em Gestão e Engenharia do Produto pela Escola Politécnica da USP, Especialista em Industria 4.0. Durante mais de 25 anos atuou na Festo Brasil, sendo responsável por P&D e pela Estratégia de Produtos na Região Américas. Tem Especialização em Administração de Empresas, Gerenciamento do Desenvolvimento de Produtos, e Dinâmica Organizacional e Gestão de Pessoas pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Gestão da Inovação, posicionamento estratégico da empresa para novas tendências como Industrial IoT e Indústria 4.0 (Manufatura Avançada). Com mais de 25 anos de experiência na Gestão de Projetos de Inovação, Engenharia e Automação. Mentor dos principais projetos de demonstradores de Indústria 4.0 apresentados na FEIMEC 2016, Expomafe 2017 e FISPAL 2017. Um dos pioneiros na introdução do tema Industria 4.0 no Brasil. Palestrante sobre temas de Inovação, Automação Industrial, Internet das Coisas (IoT) e Indústria 4.0. Apresentando os temas em congressos, seminários e eventos especializados no Brasil e América do Sul.

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